O Coren-RS realizou, nesta quarta-feira, 10 de junho, o I Simpósio Gaúcho de Enfermagem na Saúde da População LGBTQIAPN+. O evento foi realizado na Escola de Enfermagem e de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Promovido por meio da Câmara Técnica (CT) de Diversidade e Equidade do Conselho, o evento reuniu profissionais, estudantes, pesquisadores e especialistas para debater avanços, desafios e responsabilidades da Enfermagem na construção de uma assistência mais inclusiva, ética e equitativa.
Com programação ao longo de todo o dia, o simpósio teve caráter técnico-científico e abordou temas fundamentais para a qualificação do cuidado, como o direito à saúde da população LGBTQIAPN+, o acesso aos serviços, o acolhimento qualificado, a formação profissional, as medidas de inclusão e os processos de cuidado relacionados às intervenções cirúrgicas.
A abertura do evento também contou com o pré-lançamento do Dossiê Redesignadas: mapeamento sobre repercussões da cirurgia de redesignação sexual em mulheres trans brasileiras (CLIQUE AQUI para acessar). Coordenado pela enfermeira Helena Moraes Cortes, integrante do CT de Diversidade e Equidade do Coren-RS, o documento amplia o debate sobre as necessidades de saúde, os direitos e as especificidades do cuidado prestado a mulheres trans no Brasil.
Para o presidente do Coren-RS, enfermeiro Antônio Tolla, a realização do simpósio reforça o compromisso do Conselho com uma Enfermagem preparada para cuidar de todas as pessoas. “Este evento marca um passo importante para a Enfermagem gaúcha e o peso que este tema tem para nós. Reafirmamos aqui que o cuidado precisa chegar a todas as pessoas com respeito, conhecimento técnico e responsabilidade ética. O Coren-RS tem o compromisso de fortalecer espaços de diálogo que contribuam para uma assistência mais humana e segura”, destacou.
A programação foi organizada em quatro painéis, além da apresentação de trabalhos científicos e de atividades de abertura e encerramento. O painel 1, com o tema “Direito à Saúde da População LGBTQIAPN+: desafios no acesso e no cuidado de Enfermagem”, abriu os debates da manhã com a participação do enfermeiro Iuday Gonçalves Motta (SES-RS) e de Bibiana Veríssimo Bernardes (Defensoria Pública do RS) sob mediação do enfermeiro Sondre Alberto Schneck (CT do Coren-RS e professor da UFRGS). A atividade discutiu barreiras de acesso, acolhimento nos serviços e o papel da Enfermagem na garantia de direitos e na redução de desigualdades no cuidado em saúde.
Na sequência, o painel 2 abordou “Educação e Formação em Enfermagem: caminhos para a inclusão e equidade”, com contribuições da enfermeira Roberta Tavares (Senac Saúde), do enfermeiro Matheus Souza Silva (CT de Enfrentamento ao Racismo na Enfermagem do Coren-RS) e da enfermeira Aline Aparecida da Silva Pierotto (Unisinos), sob mediação da enfermeira Paula Gonçalves Filippon, do (CT de Saúde Mental do Coren-RS). O debate destacou a importância de processos formativos capazes de preparar profissionais para reconhecer a diversidade, enfrentar discriminações e promover práticas de cuidado baseadas no respeito, na escuta e na equidade.
À tarde, o simpósio abriu espaço para a produção científica da Enfermagem, com a apresentação presencial de trabalhos nas modalidades de resultados de pesquisa, relato de experiência e revisão da literatura. As produções estiveram vinculadas aos três eixos centrais do evento: direito, acesso e acolhimento; educação e formação em saúde; e processos de cuidado na atenção às intervenções cirúrgicas.
Logo após, o painel 3, com o tema “Cuidado cirúrgico e população trans: o papel da Enfermagem nos processos de atenção”, reuniu a enfermeira Priscila Marques Cadaval (CT de Diversidade e Equidade) e enfermeira Flávia Michele Vilela Gomes (Hospital de Clínicas de Porto Alegre), com mediação da enfermeira Daiane Dal Pai (membro do CT da Diversidade e Equidade e professora da UFRGS). A discussão abordou a atuação da Enfermagem no cuidado perioperatório, a importância da assistência segura e humanizada e as especificidades envolvidas nos processos de atenção à saúde da população trans.
O painel 4 encerrou a sequência de debates com o tema “A Enfermagem no cuidado à diversidade no Brasil: experiências, políticas e práticas”. A atividade contou com enfermeiro Danilo Martins Roque Pereira (Coren-PE) e Danylo Silva Guimarães (Ministério da Saúde), sob mediação do técnico de Enfermagem Paulo Murilo de Paiva (Coren-RJ), e trouxe reflexões sobre experiências profissionais, políticas públicas e práticas de cuidado voltadas à diversidade em diferentes contextos do país.
O encerramento contou com a atividade “Enfermagem, diversidade e cuidado: construindo competências para uma prática inclusiva”, conduzida por Nathan Santos do Amaral, seguida da intervenção artística “Naturalizar para Cuidar - A Arte Drag como Expressão de Diversidade e humanização”, com Cassandra Calabouço.
O coordenador da CT de Diversidade e Equidade, conselheiro e técnico de Enfermagem Edgar Vagner Moraes, avaliou como que o encontro representou um marco para a categoria. “Falar sobre diversidade também é falar sobre saúde, acesso, acolhimento e dignidade. E falar sobre dignidade é falar sobre Enfermagem. Não existe cuidado de qualidade sem respeito, sem escuta e sem reconhecer a humanidade que existe em cada pessoa que procura nossos serviços. A diversidade não enfraquece a Enfermagem, a diversidade fortalece a Enfermagem”, salientou.
Os certificados para os participantes do evento já estão disponíveis no site do Coren-RS (CLIQUE AQUI).
Fonte: Setor de Comunicação e Eventos - Coren-RS