15/06/2026
Estudo inédito no Brasil, Dossiê Redesignadas fortalece debate sobre cuidado em saúde de mulheres trans e travestis

O Dossiê Redesignadas: Mapeamento sobre Repercussões da Cirurgia de Redesignação Sexual em Mulheres Trans Brasileiras já está disponível e representa um marco para a produção de conhecimento sobre a saúde de mulheres trans e travestis redesignadas no Brasil. Estudo inédito e produzido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com o Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (INAMUR), a publicação reúne dados, entrevistas, análises e evidências sobre as repercussões da cirurgia de redesignação genital, abordando aspectos relacionados à saúde física, saúde mental, sexualidade, qualidade de vida, acesso aos serviços de saúde e práticas de cuidado no período pós-cirúrgico.

O dossiê foi apresentado durante o I Simpósio Gaúcho de Enfermagem na Atenção à Saúde da População LGBTQIAPN+, promovido pelo Coren-RS, no dia 10 de junho. Na ocasião, a enfermeira e pesquisadora Helena Moraes Cortes, coordenadora da pesquisa e integrante da Câmara Técnica (CT) da Diversidade e Equidade do Conselho, destacou o caráter inédito da produção. “Este é um estudo inédito no sentido de que nós capacitamos pesquisadoras comunitárias, ou seja, mulheres com lugar de fala. Todas as entrevistadoras foram mulheres trans redesignadas, participantes do INAMUR, do movimento social organizado”, afirmou.

A pesquisa contou com a participação de mulheres trans e travestis redesignadas de todas as regiões do país. Ao todo, 144 participantes responderam ao formulário da pesquisa, 104 participaram de entrevistas em profundidade e 28 integraram grupos de convergência realizados nas cinco regiões brasileiras. Entre os dados apresentados, o estudo aponta altos índices de satisfação pós-cirúrgica e impactos positivos na qualidade de vida, na saúde mental, na autoestima e no alinhamento entre identidade de gênero e corpo. O levantamento também evidencia desafios importantes, como complicações pós-cirúrgicas, necessidade de orientações adequadas, acompanhamento contínuo e maior preparo dos serviços de saúde para o cuidado de pessoas trans redesignadas.

Segundo Helena, os resultados também demonstram a necessidade de superar modelos assistenciais centrados apenas no ato cirúrgico. A cirurgia de redesignação genital, conforme apontado no estudo, precisa ser compreendida de forma ampliada, considerando suas repercussões na vida, no corpo, na saúde mental, na sexualidade, nas relações sociais e no acesso ao cuidado. A pesquisadora também chamou atenção para o despreparo ainda presente em serviços de saúde no atendimento a mulheres trans redesignadas. “O desconhecimento dos profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS) para cuidarem das mulheres trans redesignadas aparece como uma dimensão importante. A transfobia institucional vai se revestindo de outras facetas que demandam intervenções importantes de toda a força de trabalho da saúde, especialmente da Enfermagem”, ressaltou.

Contribuição do Coren-RS - O dossiê também tem a contribuição da CT de Diversidade e Equidade do Coren-RS, especialmente no eixo que trata “Da assistência requerida às práticas respaldadas na lei profissional: construção do parecer técnico para atuação da Enfermagem no perioperatório de mulheres trans”. A participação da Câmara Técnica fortalece o debate sobre as práticas de Enfermagem no cuidado perioperatório de mulheres trans, com foco na segurança, na ética profissional, na educação em saúde e na assistência respaldada pela legislação da profissão.

Entre os pontos destacados no estudo, está a importância da atuação da Enfermagem nas orientações sobre cuidados no pós-operatório, incluindo práticas de autocuidado, acompanhamento da cicatrização, prevenção de complicações, educação em saúde e orientações relacionadas às primeiras dilatações vaginais, quando indicadas no plano assistencial.

O material está disponível para acesso público (CLIQUE AQUI) e contribui para que profissionais, pesquisadores, estudantes, gestores e movimentos sociais possam aprofundar o debate sobre cuidado, direitos, equidade e saúde da população LGBTQIAPN+.

Fonte: Setor de Comunicação e Eventos - Coren-RS

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