03/03/2026
Marcha pela Valorização da Enfermagem quer correção inflacionária do Piso Salarial
Ato na Esplanada dos Ministérios, em 17 de março, busca ampliar diálogo no Congresso e pressionar pelo reajuste e pela aprovação da PEC 19

Enfermeiros, técnicos, auxiliares e estudantes de Enfermagem querem se fazer ouvir em Brasília e já estão mobilizados para o 17 de março. A Marcha em Defesa do Piso Salarial da Enfermagem e pela Aprovação da PEC 19 terá início com a concentração no Museu da República, às 9h, e seguirá pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, demonstrando a força dos quase 3 milhões de profissionais. O objetivo é ampliar o diálogo com o Congresso e pressionar pelo reajuste do Piso Salarial da Enfermagem e pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19. O Coren-RS está mobilizado para o ato e estará em peso na capital federal.

“A correção inflacionária é crucial para nós. É imprescindível que a Enfermagem tenha um piso que reflita a complexidade e a relevância de seu trabalho para o SUS e para a população brasileira”, destaca o presidente do Cofen, enfermeiro Manoel Neri, lembrando que outras categorias, como os Agentes Comunitários de Saúde, têm a correção automática.

O presidente do Coren-RS, enfermeiro Antônio Tolla, reforça a importância da mobilização nacional. “Não estamos falando apenas de números, mas de reconhecimento, de dignidade e de valorização concreta para a maior força da saúde. A Marcha é um momento histórico de união da Enfermagem para exigir respeito ao Piso e a garantia da correção inflacionária”, afirma. Antônio destaca que além do ato em Brasília, é fundamental a movimentação da categoria nas redes sociais, pressionando parlamentares.

O Piso Salarial da Enfermagem perdeu, em três anos, mais de 20% do poder de compra. Previsto na PEC do Piso, o índice de correção salarial foi vetado pelo então presidente, Jair Bolsonaro. Sem correção, o piso pode se tornar inócuo.

A PEC 19 prevê a correção inflacionária do piso e vincula o cálculo à jornada de 30 horas. “A PEC 19 não pode ser apenas uma bandeira! Temos que ter capacidade de luta, de mobilização, mas também de negociação para que ela avance”, destacou Neri, em audiência na Câmara. Proposta pela senadora Eliziane Gama, com relatoria favorável do senador Fabiano Contarato, a PEC está parada desde dezembro de 2024 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que fixou a jornada de 44 horas como referência para cálculo do Piso representou, na prática, um redutor salarial. A carga horária predominante na Enfermagem é de 36 horas e apenas 23,4% dos profissionais têm jornada acima de 40 horas, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e do Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/MTE).

Mobilização e diálogo – Em audiência com o Cofen, em janeiro, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, prometeu levar a pauta à ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ao Ministério da Fazenda, e articular agenda para formar uma posição de governo. A negociação enfrentará poderosos lobbies patronais, por isso a mobilização é fundamental.

A Marcha em Brasília é promovida pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais com apoio de sindicatos, instituições de ensino e entidades do Fórum Nacional pela Valorização da Enfermagem.

Fonte: Setor de Comunicação e Eventos - Coren-RS (com informações do Cofen)



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