A diretoria do Coren-RS esteve reunida com o secretário da Segurança Pública do Estado, coronel Mário Ikeda, para tratar de ações conjuntas de enfrentamento à violência contra profissionais de Enfermagem. O encontro foi realizado nesta sexta-feira, 15 de maio, na sede da Secretaria de Segurança Pública do RS (SSP-RS) e teve como pauta central a campanha “Basta de Violência na Enfermagem”, iniciativa do Conselho que busca dar visibilidade ao problema, acolher profissionais vítimas de violência e mobilizar instituições públicas, gestores, serviços de saúde e a sociedade para a proteção da categoria.
Durante a reunião, o Coren-RS solicitou apoio da SSP-RS na divulgação da campanha e no fortalecimento de ações voltadas à prevenção, ao registro e ao monitoramento dos casos de violência contra enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem. A proposta é ampliar a articulação com o Estado para que os dados e relatos sobre agressões sejam cada vez mais identificados, registrados e utilizados na construção de políticas públicas.
O presidente do Coren-RS, enfermeiro Antônio Tolla, destacou que a violência contra a Enfermagem também precisa ser compreendida dentro de um contexto social mais amplo, considerando que a categoria é majoritariamente formada por mulheres. “Falar em violência contra a mulher é também falar em violência contra a Enfermagem. Precisamos construir uma política conjunta com o Estado, que proteja quem está na linha de frente do cuidado e que dê respostas concretas para essa realidade”, afirmou.
Um dos instrumentos apresentados na reunião foi o Observatório da Violência na Enfermagem, criado pelo Coren-RS para reunir informações sobre casos de violência contra a categoria no Rio Grande do Sul. A ferramenta compila as denúncias recebidas via Ouvidoria do Conselho e permite ampliar a compreensão sobre as ocorrências, identificar padrões e subsidiar ações institucionais de prevenção e enfrentamento.
Com o olhar de um especialista na área da segurança, o secretário Mário Ikeda sugeriu aprimoramentos no Observatório para contribuir com o mapeamento dos casos e a definição de estratégias mais efetivas por parte do Poder Público. Ele também apontou a importância de ampliar a campanha para locais considerados mais sensíveis ou com maior risco de ocorrências. “Vivemos um momento em que o nível de agressividade da sociedade está alto, com xingamentos, ameaças e agressões físicas. Esses registros são fundamentais para que possamos entender onde os casos acontecem, quais são os locais de maior risco e que políticas podem ser desenvolvidas a partir desses dados”, afirmou.
Ikeda também reforçou a necessidade de incentivar o registro de Boletim de Ocorrência, inclusive por meio da Delegacia Online da Polícia Civil. O registro formal permite que a segurança pública tenha condições de mapear as ocorrências, acompanhar a evolução dos casos e planejar ações de prevenção. Inclusive, o chefe do Observatório Estadual da Segurança Pública, major Marcelo Nogueira da Silva, acompanhou a reunião.
Nova fase da campanha - Para a conselheira tesoureira do Coren-RS, Ana Elisa Ferreira de Freitas, a campanha entra em uma nova etapa ao buscar maior envolvimento da sociedade e dos gestores públicos. “As ações começaram com um olhar de acolhimento ao profissional de Enfermagem vítima de violência. Agora, estamos indo ao encontro da sociedade e buscando a sensibilidade dos gestores sobre aquilo que está sendo feito, de fato, para proteger esses profissionais”, destacou.
O Coren-RS orienta que profissionais de Enfermagem vítimas de violência registrem Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil e também façam denúncia à Ouvidoria do Conselho. As duas medidas são importantes: o BO formaliza a ocorrência perante os órgãos de segurança, enquanto a denúncia ao Coren-RS contribui para o monitoramento institucional e para o fortalecimento das ações de defesa da categoria.
Fonte: Setor de Comunicação e Eventos – Coren-RS
Jornalista Ronan Dannenberg
DRT/RS 13.181