23/03/2026
BASTA DE VIOLÊNCIA: Coren-RS registra aumento de 83,6% nos casos de violência contra profissionais de Enfermagem em 2025

A violência contra profissionais de Enfermagem segue como um dos principais desafios enfrentados pela categoria no ambiente de trabalho. Dados do Observatório de Violência contra Profissionais de Enfermagem do Coren-RS mostram que, em 2025, foram registradas 101 notificações de violência, número 83,6% maior que o registrado em 2024, evidenciando a gravidade e a persistência do problema nos serviços de saúde.

O levantamento aponta que, até abril de 2025, haviam sido contabilizadas 17 notificações. No entanto, após a intensificação da divulgação do Observatório, foram registradas 84 novas ocorrências até o final do ano. “Isso demonstra não apenas a dimensão do problema, mas também a importância de canais institucionais que permitam aos profissionais denunciar episódios de violência”, destaca o presidente do Coren-RS, enfermeiro Antônio Tolla.

Segundo a análise da Comissão Interna de Prevenção à Violência no Trabalho da Enfermagem do Conselho, as situações não podem ser tratadas como fatos isolados. “Trata-se de um fenômeno estrutural que atravessa diferentes serviços, territórios e perfis profissionais, afetando diretamente a segurança dos trabalhadores, a qualidade da assistência prestada à população, a saúde física e mental da categoria e a permanência de profissionais nas instituições de saúde”, destaca a enfermeira Luciane da Silva, integrante do grupo e conselheira do Coren-RS.

Ofensas, ameaças e agressões estão entre os casos mais recorrentes

Os registros do Observatório revelam que a violência contra a Enfermagem assume diferentes formas. Entre os episódios mais frequentes estão ofensas, ameaças e agressões verbais, além de assédio moral e violência psicológica, que contribuem para a formação de ambientes de trabalho hostis e degradantes.

Também foram registrados casos de agressões físicas e situações de exposição indevida ou ataques em redes sociais, o que demonstra que a violência ultrapassa o espaço físico das unidades de saúde e alcança a dimensão pública e digital da vida dos trabalhadores. “Esse cenário evidencia que a violência não atinge apenas a integridade física dos profissionais, mas também impacta profundamente sua saúde mental e emocional”, enfatiza Antônio Tolla.

Mulheres são as principais vítimas

O relatório também traz um importante recorte de gênero, indicando que as mulheres são as principais vítimas de violência no exercício da profissão – 84,2% dos casos. A Enfermagem é historicamente uma categoria majoritariamente feminina, e os episódios de violência refletem desigualdades estruturais presentes na sociedade. De acordo com a análise institucional, o machismo estrutural contribui para a desvalorização social da profissão e para o desrespeito à autoridade técnica das profissionais, muitas vezes associando o cuidado à ideia de submissão ou servidão. Essa lógica contribui para um ciclo de invisibilidade e silenciamento das violências vivenciadas no cotidiano do trabalho.

“Diante desse cenário, o enfrentamento da violência na Enfermagem precisa ser tratado também sob a perspectiva dos direitos humanos e da equidade de gênero, com políticas institucionais que garantam acolhimento, proteção e valorização das profissionais”, pondera a conselheira Luciane.

Hospitais concentram maior número de ocorrências

Entre os locais de ocorrência das violências registradas em 2025, os hospitais lideram as notificações, com 34,7% dos casos. O dado confirma que ambientes de alta complexidade e grande pressão assistencial expõem mais os profissionais à violência.

Na sequência aparecem os serviços de Urgência e Emergência, como UPAs e atendimentos pré-hospitalares, responsáveis por 22,8% das notificações, o que reforça o alto risco ocupacional nesses cenários.

Outro dado relevante é a presença expressiva de ocorrências na Atenção Básica, com 24,8% dos registros, demonstrando que a violência também está presente nos serviços territoriais, muitas vezes associada a conflitos relacionados ao acesso ao atendimento, organização de agendas e escassez de recursos.

Ações do Coren-RS

Desde 2024 o Coren-RS está com a campanha Basta de Violência na Enfermagem, em que o Observatório é uma das ações desenvolvidas. Os dados servem para não só elencar os mais diferentes casos de agressões sofridas pela categoria, mas para sensibilizar gestores na promoção de políticas efetivas de combate à violência. “O relatório reforça que esse enfrentamento exige uma resposta institucional estruturada, que vá além do registro de ocorrências e se traduza em ações concretas”, frisa o presidente do Conselho.

Além do Observatório, o Coren-RS tem realizado diversas ações de sensibilização, como reuniões com gestores, participação em eventos, audiências públicas e publicações nas redes sociais e demais canais do Conselho. “É necessário a implantação de protocolos institucionais de prevenção à violência, realização de ações educativas permanentes, além de apoio psicológico e jurídico às vítimas”, destaca Luciane.

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Fonte: Setor de Comunicação e Eventos - Coren-RS
Jornalista Ronan Dannenberg
DRT/RS 13.181



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