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26/06/2010
2º lugar - Concurso de Depoimentos 2010
Motivação na Enfermagem, por que escolhi esta profissão? - Elisete Terezinha de Moura

Cresci em uma vila de uma pequena cidade do interior, onde todas as pessoas se conheciam e se davam bem. Na época dos anos 80, minha mãe teve seu terceiro filho, meu irmão mais novo. Somos três irmãos, duas meninas e um menino, e eu sou a filha do meio.

Dei muito trabalho para minha mãe, pois vivia atrás dela, sempre fazendo (de faz de conta) o que ela fazia. Meu pai, hoje aposentado, era trabalhador de uma empresa agrícola, minha mãe ficava conosco, não trabalhava fora. Mas acabava achando um jeito de ajudar os outros, servindo as pessoas mais idosas da nossa comunidade, ou fazendo curativos e lavando as feridas de quem precisasse, até mesmo tirando os bichos-de-pé, e os bernes das crianças.

Ela tornou-se um exemplo de vida para mim, gostava de ficar observando-a ajudar as pessoas, e fazer isso por amor, sem ganhar dinheiro algum. Minhas brincadeiras preferidas eram as de “farmacinha”, que a gente imitava o que nós sabíamos sobre fazer injeção e trocar curativos, de dar remédio e ensinar as pessoas sobre como tratarem suas doenças com ervas e produtos medicinais. Era muito legal, passávamos horas e horas brincando. Foi uma infância muito boa.

Minha mãe chegou a ser agente de saúde do bairro, naquela época não existiam os ESF, e elas eram mais requisitadas para tratar com ervas medicinais e produtos naturais, que eram feitos por elas mesmas. Um grupo de mulheres que se reuniam uma vez por semana para aprender sobre as espécies de chás e quais eram melhor para cada tipo de doença. Ela só teve que parar de trabalhar quando surgiu o PSF na minha cidade, daí contrataram os agentes de saúde para realizar o trabalho de cadastro das famílias moradoras do bairro. Minha mãe era analfabeta, não tinha tido a chance e oportunidade de frequentar uma escola quando criança, sendo esse o motivo pelo qual teve que parar de fazer o que fazia, passando a ser proibida pela enfermagem da cidade de fazer qualquer espécie de curativo e injeção.

Após um longo período só cuidando do lar, conseguimos com que ela voltasse a estudar, para pelo menos se alfabetizar. Hoje somos muito felizes por vê-la lendo textos e principalmente a Bíblia, que era seu maior sonho.

Eu com 12 anos fui trabalhar na cidade como babá, para poder garantir meus estudos, pois minha família não tinha recursos para me oferecer pelo menos o material escolar, daí na família com quem fui morar, ganhava roupas, calçados e material escolar, sendo assim não precisei parar de estudar. Mas nunca esqueci os ensinamentos de minha mãe, ajudar sempre quem precisa e sonhando em algum dia tornar-me alguém parecida com minha mãe.

Quando completei meus quinze anos, estava morando ainda com a mesma família da cidade e cursando o primeiro ano do ensino médio, recebi o convite do administrador do hospital da cidade para trabalhar no laboratório da análises clínicas como secretária. Aceitei e voltei para casa. Meu trabalho era muito bom, aprendi a coletar sangue para realização dos exames bem rápido, com muita facilidade. Sempre lembrava-me do que minha mãe dizia, de ser simpática, e acima de tudo, fazer sempre o nosso trabalho com amor e carinho. rn

Cursando o terceiro ano do ensino médio, tive uma surpresa enorme, estava grávida, passei muito mal, enjôos, tontura, perdia peso com muita facilidade. Foi então que tomei a decisão de largar os estudos por enquanto, para poder aguentar trabalhar, pois não estava conseguindo trabalhar de dia e estudar de noite.

Formamos uma família, casei com quatro meses de gravidez e com 17 anos de idade tive minha primeira filha. Fiquei longe do laboratório que trabalhava por um mês apenas. Voltei porque o bioquímico precisava dos meus serviços de coleta de material e de uma secretária. Passado algum tempo, o administrador do hospital me convidou para trabalhar como atendente de enfermagem, passando a fazer parte da equipe de enfermagem daquele hospital. Era a chance que eu precisava para voltar a estudar, pois trabalhava das sete à uma da tarde e depois ia para escola terminar o terceiro ano do ensino médio e minha filha também levava para a escola.

Depois de terminar o ensino médio, fiz o curso de auxiliar de enfermagem na cidade vizinha, não foi fácil, cuidava da casa, da minha filha, trabalhava e fazia o curso de noite. Mas consegui terminar. Depois veio o curso de instrumentação cirúrgica, também consegui fazer. Gosto muito dessa área e precisava aprender mais sobre este assunto, pois como trabalhava num hospital pequeno tínhamos que fazer de tudo, desde emergência até centro cirúrgico.

Em 1991 fui aprovada em concurso público passando a trabalhar no posto de saúde, como auxiliar de enfermagem, surgindo assim a chance de fazer a minha faculdade, trocando dias de aula por plantões de fim de semana.

Hoje estou com 36 anos de idade, no sétimo semestre da faculdade de enfermagem, com uma família, duas filhas e um filho adotado no mês de maio deste ano. Continuo trabalhando na secretaria de saúde da minha cidade, pois a enfermagem é a minha profissão, fazendo o meu trabalho com amor e carinho e sempre ajudando as pessoas, pois os ensinamentos de minha mãe estarão sempre comigo.

Sem dúvida alguma posso dizer que a grande motivação para a minha profissão foi a minha infância e o convívio com minha mãe, pois desde pequena a enfermagem faz parte da minha vida e não saberia trabalhar em outra profissão.

Dedico este texto a ela, minha mãe, que com seu exemplo de carinho, ternura e amor pelo próximo fez com que eu me dedicasse à Enfermagem, pois hoje não saberia viver sem ela, amo minha profissão, e serei sempre grata aos ensinamentos de minha mãe.

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