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10/04/2008
Moacyr Scliar fala sobre a comunicação na saúde pública e seus desafios durante Fórum promovido pela Secretaria Estadual de Saúde


Para o escritor Moacyr Scliar, o nível de informação na mídia sobre saúde pública vem melhorando sensivelmente, a ponto de alguns artigos escritos por jornalistas no New York Times serem referência até mesmo para a classe médica. Mas ainda há problemas sérios na comunicação, entre veículos/jornalistas, profissionais de saúde e o grande público para os quais é preciso direcionar muita atenção. Nesse sentido, o médico autor de vários livros fez uma palestra na manhã de hoje (8) no Fórum Comunicação e Saúde, uma promoção da Escola de Saúde Pública, vinculada à Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS). \r\n\r\nOs problemas de saúde pública e sua repercussão na imprensa estão basicamente atrelados a três fatores, quais sejam, a magnitude, a transcendência e vulnerabilidade da população. "A notícia deve interessar ao público e sua divulgação depende dos meios de comunicação. Nem sempre foi assim. No tempo de Oswaldo Cruz, o objetivo da imprensa era desmoralizar o trabalho daquele grande sanitarista e não prevenir doenças. Charges contra ele se somavam aos montes."\r\n\r\nModernamente, envolvendo por exemplo as campanhas contra o tabagismo, há um processo que parte da informação e chega à mudança de hábitos, passando pela atitude e comportamento. E dentro dessa proposta, há pouco tivemos uma campanha contra as mortes no trânsito. Não foram prestadas apenas informações sobre os acidentes, mas orientação no sentido de evitá-los. Isso não se fazia antigamente." \r\n\r\nMoacyr Scliar arrolou vários critérios para a boa informação. Entre eles saber separar o que interessa aos governantes e o que é melhor à saúde pública. As informações devem ser disponibilizadas, "pois escondê-las traz enormes riscos. Também é preciso usar uma linguagem condizente, acessível, culturalmente adequada. Nós, médicos, muitas vezes usamos jargões da profissão, inacessíveis ao entendimento popular."\r\n\r\n"Nos serviços de saúde, ocorrem equívocos. O público não é uma entidade homogênea, seja ele de pacientes ou jornalistas. Não devemos superestimar ou subestimar os interlocutores. Nossa arrogância é muito freqüente, começando pelas receitas ininteligíveis até mesmo para os farmacêuticos. Do mesmo modo, há erros em algumas atitudes impróprias de comunicadores e que se parecem muito com os dos médicos, como o uso de linguagem inadequada e ocultação de fatos."\r\n\r\nSobre esse último ponto, um dos riscos é o surgimento de boatos fundamentado também em atitudes não recomendadas, tendo por base até crendices populares. "Quando houve a vacinação contra a varíola ao tempo de Oswaldo Cruz, os médicos cobravam pelo atestado afugentando os mais humildes, os vacinadores não eram treinados e chegavam a usar de violência. \r\n\r\n"Em 1974, houve o caso em Porto Alegre de um garoto que morreu de meningite meningocócica. No seu velório, as pessoas se mantinham distantes do caixão, acreditando que poderiam contrair a doença por contágio. Na época, a ditadura proibia a divulgação de fatos assim, alimentando os boatos de que a doença era contagiosa. Também se falava que a vacina contra rubéola provoca o autismo. São essas informações equivocadas que devem ser combatidas pela mídia."\r\n\r\nO Fórum de Comunicação e Saúde, sob o tema "mais acesso à informação, mais saúde", trouxe também pela manhã o professor Fernando Barros, da Universidade Católica de Pelotas. Ele falou sobre a importância de esclarecer os pacientes, especialmente os com menor acesso à educação. E apontou dados sobre a mortalidade infantil, que é mais acentuada entre populações menos esclarecidas.\r\n\r\n"Às vezes, surge uma informação nova, mas não sabemos o que fazer com ela. Um exemplo é a descoberta no século 18, de que o limão e a laranja preveniam o escorbuto, a maior causa de mortalidade entre os marinheiros, superando os óbitos por guerras e enfrentamento com piratas. E se passaram 50 anos para que essa descoberta fosse levada a sério."\r\n\r\nMesmo médicos demonstram dificuldade em assimilar novidades. "Fazendo estudos sobre a morte súbita infantil, descobri em autores estrangeiros que as crianças não devem dormir de lado nem de bruços. Fiz fotos, divulguei nos postos e fui contrariado por mães e médicos. Chegaram a rabiscar meu trabalho, dizendo que criança deitada de costas tem maior probabilidade de morrer dormindo. É um enorme desafio aceitar uma nova verdade."

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